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Lendas de Guarapari

Lendas de Guarapari
Lendas de Guarapari

PRAIA DOS PADRES

Há muitos anos atrás, diziam que a Praia dos Padres era chamada de assombrada devido às alucinações que as pessoas tinham, ao irem lá. Elas falavam que viam barcos a vela e pescadores em alto mar, mas quando se aproximavam nada viam além de ondas e águas.
À noite, escutavam pessoas falando e gritando, como se a praia estivesse cheia de veranistas e o mar subia tanto que no dia seguinte as raízes das castanheiras pareciam dedos de uma mão velha e cansada.

Todos esses fatos estranhos deixaram os moradores amedrontados, fazendo com que solicitassem padres para rezarem a praia que passou a se chamar "Praia dos Padres".

MULHER PATA

Antigamente as famílias eram muito numerosas. Quando nascia o 7º filho do casal, o mais velho deveria batizá-lo pois segundo a lenda, se isto não acontecesse, este filho, se fosse homem, nas noite de lua cheia virava lobisomem e se fosse mulher se transformava em mulher pata. Ela ia para pedras em lugares escondidos tirava a roupa e começava a se transformar, contorcia-se e as penas iam surgindo. Quando a transformação se completava, ela voava para o alto mar, pousava no mastro dos barcos, e ficava escutando as conversas. Quando havia escutado tudo o que queria, saía contando tudo que havia escutado. Quando os pescadores voltavam, dias depois, ficavam pasmos, pois todos já sabiam o que haviam conversado em alto mar.

O NADADOR DE PEDRA

Conta-se que um descendente de índios goitacás ao regressar de uma pescaria, avistou uma sombra de mulher. Passou a noite inteira seguindo a mulher misteriosa por diversas praias. Por vários dias não comeu, não dormiu e não trabalhou, remando enlouquecido à procura de seu amor, até encontrá-la na pedra do Siribeira. Jogou-se então ao mar e nadou até a praia da Areia Preta. Embora uma voz lhe sussurrasse para não ir, ele não lhe deu ouvido. Jaci (lua) lançou-lhe então um jato luminoso, petrificando-o e transformando-o num curioso recife.

A MÃE DO OURO

Diziam os antigos guaraparienses que a "Mãe do Ouro" era uma menina muito bonita, loira e de olhos azuis. O senhor Manuel contava que certa vez quando foi cortar lenha em Muquiçaba com mais três companheiros, marcaram um ponto de referência para voltarem e um seguiu uma trilha. O Senhor Manoel entrou mata adentro e deparou-se com uma menina muito bonita que lhe perguntou o caminho de saída, pois estava perdida. Ele lhe ensinou a trilha de saída da mata, mas a menina não seguiu a trilha e embrenhou-se mata adentro. Preocupado, senhor Manuel seguiu a menina, mas ficou perdido na mata por várias horas e, quando conseguiu encontrar os companheiros, já era tarde e era perigoso voltar à mata para procurar a menina. Ao contar o acontecido aos companheiros, eles disseram: _ Seu Mingufa, era a Mãe do Ouro! Se o senhor tivesse dado um corte num dos dedos e deixado cair três pingos de sangue sobre a menina, ela se desmancharia em ouro.

MÃE-BÁ

Havia em Guarapari uma tribo de índios chamada Negros-Galinhas cujo chefe, senhora idosa chamada Bá, era considerada mãe de todos. Mãe-Bá era curandeira protetora e conselheira. Certo dia, um menino adoeceu e apesar das tentativas ela não conseguiu curá-lo. Numa última tentativa, Mãe-Bá apelou para uma mandinga na lagoa: pegou a canoa e quando atravessava a lagoa, algo estranho aconteceu: Mãe-Bá começou a gritar aterrorizada. Quando os índios foram até a lagoa, viram a canoa virada com marcas de sangue. Após uma semana, o corpo apareceu, foi cremado pelos índios e as cinzas foram jogadas na lagoa. Depois deste fato houve uma grande abundância de peixes e, o nome da lagoa Mãe-Bá é uma homenagem a ela.

A SEREIA DE MEAÍPE

Conta-se que um navio holandês naufragou na costa do Espírito Santo. Alguns tripulantes se salvaram e, presos aos destroços, foram levados pelas ondas até Meaípe, que era habitada pelos índios goitacás. Os índios admirados pelos caracteres físicos dos náufragos, seus olhos azuis e cabelos loiros, acharam que eles foram ali pelos "gênios do oceano". Ofereceram-lhes frutos e mel, deram-lhes rede para repousarem à sombra das árvores tintureiras. Os náufragos foram assimilando os costumes indígenas e acabaram casando-se com as filhas dos chefes (isto explica a sobrevivência estrangeira no tipo de população regional). Um, porém, antes do casamento, saiu admirando a beleza da paisagem e perdeu-se por haver esquecido o itinerário percorrido. Caía a noite, o holandês cheio de temor, procurava resistir ao sono, quando foi surpreendido pela visão de uma formosa mulher, que emergia das ondas, envolta em sedosa cabeleira. Vencida a emoção, o jovem convidou-a a sentar-se na areia ao seu lado, mas em evolução graciosa, ela se aproximava e se afastava. Ora estendia-lhe os braços, ora mergulhava para reaparecer mais atraente e bela.

- Por que não dormes? - perguntou-lhe a visão.

- Perdi o sono.

- Vai recuperá-lo - e começou a modular suavíssimo acalanto.

Ao romper a aurora, o jovem despertou embalado ainda pela recordação do que se passara. Olhou em volta e se deparou com um enxame que se alava em busca de provisões de pólen. Socou umas folhas de pau-d'alho, como aprendera com os índios, untou as mãos e o rosto a fim de que, pelo cheiro as operárias se afastassem, colheu alguns favos que deliciaram. Após isso, construiu uma palhoça e resolveu que ali ficaria até que decifrasse o enigma da visão no-turna. Ansioso, aguardou que as trevas caíssem e, no céu, pontilhassem as primeiras estrelas. Longe, eis que ressurge o vulto escultural. - Ela! ... pensou o flamengo. Ela, sim, volteava graciosa à distância. A pesquisar instintivamente o motivo do afastamento, o jovem relanceia um olhar pelo sítio e descobre, na tranqüilidade da água, duas tochas fixas. Não tremeluziam com os vaga-lumes, nem ondulavam como a faixa do luar, estirado na água. Misteriosos pareciam devorá-lo!

Ao pio de uma coruja, logo sucedeu o anúncio do bacurau:

- Amanhã, eu vou! Amanhã, eu vou!...

Enlevado, atônito, sente-se arrastar-se para as franjas da praia. Vai, vai, magnetizado pela fixidez daqueles olhos, em ignição, enquanto a mãe d'água, faminta, se enroscava a seu corpo jovem. Ignorava, porém, que já se lhe abraçara o coração, pela chama do amor. Não poderia ser devorado, porque se prendera à melodia da voz e à beleza helênica de uma sereia!

Para vingar-se, então, da própria derrota, a mãe-d'água arrasta-o até o lago e invoca a Tupã que o transforme em pedra.

Desde essa noite, quando as trevas descem à terra, cintilam as estrelas e as aves noturnas emitem os seus lamentos, vem a Sereia de Meaípe cantar a melodia da saudade sobre o monumento do seu amor!

A ESCALVADA

A ilha Escalvada ou do Farol, segundo os moradores, é encantada. Dizem que ela se transforma em barco, castelo, baleia e outras formas e que isso acontece de dia.

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