A Mulher Pata é uma das lendas dos antigos pescadores de Guarapari. Conta a história de uma moça que, nas noites de lua cheia, virava pata, voava até os barcos em alto-mar e depois espalhava pela vila tudo o que os pescadores tinham conversado. Veja a lenda, de onde ela vem e outras histórias do folclore da cidade.
Resumo rápido
- Tipo: lenda do folclore de Guarapari, ligada às famílias de pescadores.
- Personagem: a sétima filha que não foi batizada pelo irmão mais velho.
- Quando aparecia: nas noites de lua cheia.
- O que fazia: virava pata, pousava no mastro dos barcos e ouvia a conversa dos pescadores.
- Lição: uma história para explicar a fofoca na vila e falar das crenças sobre batismo.
A lenda da Mulher Pata
Antigamente, as famílias de Guarapari eram grandes, e muitos casais tinham sete filhos ou mais. Pela tradição, quando nascia o sétimo filho, um dos irmãos mais velhos tinha que ser o padrinho de batismo da criança. Se isso não acontecesse, a criança carregaria uma sina: se fosse menino, viraria lobisomem nas noites de lua cheia; se fosse menina, viraria a Mulher Pata.
Nessas noites, a moça ia até as pedras, se escondia no mato e tirava a roupa. Começava a se contorcer, e as penas iam nascendo pelo corpo até a transformação ficar completa. Já como pata, ela voava para o alto-mar, pousava no mastro de um barco de pesca e ficava ali, quietinha, ouvindo tudo o que os pescadores falavam.
Quando ouvia o que queria, voltava para as pedras, se contorcia de novo até virar mulher, vestia a roupa e saía pela vila contando as novidades.
O mistério dos pescadores
Dias depois, os pescadores voltavam da pescaria e ficavam intrigados: a vila inteira já sabia o que eles tinham conversado no barco, longe da terra. Como, se todos tinham voltado juntos e ninguém tinha descido antes?
Com o tempo, eles repararam que, sempre que isso acontecia, uma pata tinha pousado no mastro durante a viagem. Foi assim que concluíram que a fofoca era obra da Mulher Pata.
De onde vem a lenda
A ideia de que o sétimo filho precisa ser batizado por um irmão mais velho para não virar lobisomem aparece em várias regiões do Brasil e veio com a tradição portuguesa. Em Guarapari, a crença ganhou uma versão feminina e bem do litoral: em vez de bicho do mato, uma ave que chega aos barcos.
A lenda mostra como era a vida nas antigas vilas de pescadores: famílias numerosas, a fé católica no batismo, os homens dias no mar e a vila pequena, onde todo mundo sabia da vida de todo mundo. A Mulher Pata era um jeito divertido de explicar como as notícias corriam tão rápido.
Outras lendas de Guarapari
Veja todas na seção de lendas de Guarapari e conheça mais da cidade na história de Guarapari.
Perguntas frequentes
O que é a lenda da Mulher Pata?
É uma lenda de Guarapari sobre a sétima filha não batizada pelo irmão mais velho, que virava pata nas noites de lua cheia, voava até os barcos e espalhava pela vila a conversa dos pescadores.
Por que a sétima filha virava Mulher Pata?
Pela tradição, o sétimo filho precisava ser batizado por um irmão mais velho. Sem isso, o menino virava lobisomem e a menina virava a Mulher Pata.
A Mulher Pata é parente do lobisomem?
Na lenda, sim. Os dois nascem da mesma crença sobre o sétimo filho: o lobisomem é a versão masculina, e a Mulher Pata, a feminina.
Quais são as lendas de Guarapari?
Entre as mais conhecidas estão a Mulher Pata, a Mãe do Ouro, a Mãe Bá, a Ilha Escalvada, a Sereia de Meaípe, o Nadador de Pedra e a lenda da Praia dos Padres.
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Gladison Perosini