Considerados os pesos pesados da pesca oceânica, os peixes de bico ou de alto mar são, na verdade, um desafio a qualquer pescador que está à procura de grandes emoções e atrás de bater seu próprio recorde.
Peixes como o marlim, sailfish, dourado, bicudo, barracuda e atum, garantem a festa de uma pescaria esportiva de alto mar, com direito até, quem sabe, um recorde mundial. Haja visto que o mar brasileiro é um dos mais promissores do mundo na pesca do marlim azul, especialmente na região que vai desde o Rio de Janeiro até a costa do Espírito Santo, onde hoje registra o recorde mundial da pesca do marlim azul, com 676kg.
MARLIM BRANCO
Um dos peixes mais esportivos do Brasil e também muito presente em nossas águas. Tem presença garantida desde o sul até o nordeste do país.
Vive em grandes profundidades, subindo até a superfície para se alimentar. Não chega a pesar tanto quanto seu parente, marlim azul, mas pode atingir até 160 kg e passar de 2m de comprimento. Possui hábitos alimentares variados e usa seu bico para ferir as vítimas para depois comê-las. Um verdadeiro espadachim.
Pode ser pescado em épocas que vão desde o verão até o inverno em algumas regiões. Assim como a maioria dos oceânicos, prefere águas quentes com temperatura em torno dos 27 graus. Pode ser pescado com iscas artificiais de lulas ou peixes, mas também é muito utilizada a natural, tendo o farnangaio como protagonista. Lulas e cavalinhas também são boas alternativas.
MARLIM AZUL
Este sim é o desafio do pescador amador na pesca oceânica. Possui muita força além do peso descomunal. Dá incríveis saltos quando fisgado e toma linha com uma facilidade enorme.
Os maiores exemplares gostam de brigar mais no fundo, mas vêm a superfície tomar fôlego. Para pescá-lo é preciso material barra pesada, com carretilha que suporte no mínimo 500m de linha adequada. Tanto a pesca deste como a dos outros oceânicos é feita através do corrico, isto é, dá-se voltas pelo pesqueiro até localizar o peixe.
As iscas usadas são as mesmas do marlim branco, entre outros peixes. Às vezes quando se está atrás de um grande marlim, chega-se a usar até um atum de 8-10kg para capturá-lo.
A melhor época para se pescá-lo é durante o verão quando a temperatura da água atinge mais ou menos 26-28 graus. A embarcação para capturar o animal esportivamente, deve ser apropriada, com cadeira e suporte de vara, pois a luta leva tempo e não raro ultrapassa 3-4 horas.
Basta dizer que o pescador que capturou o peixe que hoje é o recorde mundial, ficou nada menos que 7 horas com o bichão na linha! Sem contar que a força foi tamanha que despregou a cadeira do barco e a mesma teve de ser amarrada por trás, junto da geladeira.
Os mares de Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo, são os mais indicados para a captura de exemplares. Se for tentar pescar um animal destes, consulte primeiro alguém experiente do local e informe-se melhor sobre as épocas e pesqueiros. Para pegar um grande marlim, primeiro você precisa ter um pouco de experiência na pesca oceânica e um pouco de malícia.
Deve-se esperar que o peixe primeiro engula a isca e não fisgar quando ele a coloca na boca como de costume. Após o peixe engolir a isca, fisgue com firmeza, pois na maioria das vezes estes peixes regurgitam o estômago para se libertarem do anzol. É realmente uma cena impressionante de como a natureza é perfeita com suas criações. Ver aquele grande animal com o estômago pendurado no bico, realmente é muito chocante.
SAILFISH
Chamado pelos pescadores do nordeste como "agulhão de vela" este peixe se difere do marlim azul não só pelo peso, mas também pelo tamanho da barbatana dorsal. Normalmente se assemelha mais ao marlim branco em relação ao peso, podendo alcançar geralmente 60-100kg e 1,8m de comprimento.
Quando fisgado vai logo dando saltos impressionantes de até 2m de altura. Faz muita força e oferece grande resistência ao anzol. Pode ser pescado com as mesmas iscas usadas para marlins. Ao saltar abre sua nadadeira dorsal, expondo seu dote.
Também vive em profundidades variáveis de acordo com a estação e temperatura das águas, gosta de mar azul e águas escuras, habitat dos outros peixões também. Sua carne, assim como a dos marlins não é muito apreciada por pescadores, é muito escura e vermelha, de cor característica. Restaurantes de comidas exóticas os valorizam muito. Gosto não se discute.
Pode-se pescá-lo com material barra-média e uma carretilha que suporte boa capacidade de linha. Estas carretilhas normalmente são da marca americana, penn. Linha 0,40mm com líder mais grosso e aproximadamente 700m de linha, vão garantir sua diversão.
Se você estiver pescando com um material destes e entrar um grande peixe, é só ter calma e paciência, trabalhar o bichão com cuidado, pois você não corre risco de enrosco, e depois é só comemorar. Chega-se a capturar exemplares de 60kg ou mais com este material. Passadores de roldanas nas varas diminuem o atrito com a linha.
ATUM
Peixe muito esportivo, o atum pode ser capturado em praticamente todo nosso litoral em épocas de mar azul e águas quentes, no inverno eles migram para outras regiões. Usa-se um material médio.
Pode chegar até 70kg dependendo da espécie. É muito valorizado por restaurantes japoneses que aproveitam sua carne para o Sushi e Sashimi. Esportivamente pode ser pego com farnangaio, cavalinhas e iscas artificiais.
É um peixe de meia água para superfície e permanece em grandes cardumes. Não é raro capturar vários exemplares do mesmo tamanho. É bastante brigador e gosta de lutar no fundo. Só dá a cara quando está por vencido.
BARRACUDA
Barracuda ou bicuda é como se chama. É muito voraz, têm hábitos solitários e aparecem em mar aberto. Caça usando um exemplo clássico de mentira-em-espera ou emboscada, possuem presas de fazer medo em qualquer tubarão. Deve-se tomar muito cuidado ao manuseá-la por causa da sua dentição avantajada.
Ela conta com surpresas e rajadas de velocidades (43 km/h) para superar sua presa. Predadora por excelência, come principalmente peixes, mas também se alimenta de lulas, chegando a penetrar águas rasas com menos de 1 metro de profundidade atrás de suas presas.
DOURADO
Muito, mas muito esportivo mesmo! Está presente em praticamente toda pescaria oceânica e oferece muita diversão para quem o pesca. Dá saltos espetaculares até mesmo a 1m do barco.
Também é um peso pesado da pesca oceânica, podendo atingir 60kg ou mais. É de fácil distinção, e o macho é totalmente diferente de fêmea. Este possui cabeça mais quadrada do formato de um bisão americano. Olhos pequenos e situados mais embaixo, perto da boca. Possui uma cor muito bonita e característica quando recém capturado, ou na água.
Logo após alguns minutos começa a escurecer como que prevendo a morte. A fêmea se assemelha mais a uma espécie de cavala, tem o formato da cara mais aguda na forma de triângulo. O dourado pode ser capturado principalmente com lulas artificiais e plugs grandes com barbelas maiores. É peixe de caça em cardumes e vive com mais frequência na meia água, variando de profundidade dependendo da temperatura.
BICUDO
Mistura que se assemelha a barracuda com marlim, este peixe é incomum numa pescaria pré-direcionada. Apesar de ser muito esportivo também, possui hábitos parecidos com as barracudas, tanto alimentares quanto sociais e territoriais.
Gosta da meia-água e fundo, subindo para caçar. Ataca cardumes de peixes pequenos e médios. Possui carne um pouco escura e saborosa. Pesca-se com material médio e iscas convencionais.
CAVALA
Uma grande cavala podem atingir 50kg e fazer a alegria de muita gente. Costuma saltar durante a briga, mas prefere meia água. Pode ser apanhada em dia de sol quente na água azul e temperaturas entre 25-28 graus.
São usadas para sua pesca iscas convencionais ou artificiais. Muitos pescadores artesanais do nordeste, conseguem capturá-las com linhada de mão fazendo uma tainha, sardinha ou cavalinha de iscas viva. Pesque próximo a recifes ou navios afundados. Não precisa se distanciar muito da costa para se capturar bons exemplares, pois uma grande cavala pode caçar suas vítimas a pouco mais de 1,5km da praia.
TUBARÃO OU CAÇÃO
Muita gente confunde os dois e acha que cação é filhote de tubarão. Errado! Cação é apenas um nome comercial do tubarão, sem distinção de idade ou tamanho. Não se discute que o animal é mesmo assustador, e onde ele põe aquelas presas, arranca o que tiver pela frente. O cação como todos sabem, vive desde a beira da praia até as profundezas do oceano.
Pode-se pescar a espécie praticamente todo o ano e, dependendo da região, eles aparecem com mais ou menos frequência. A isca pode ser camarão, filés de peixes ou peixe inteiro, com as tripas de fora para aguçar o sentido do bicho. Use material pesado, porque a luta é forte. Muitas vezes se você localizar um cardume, pode não conseguir embarcar um peixe sequer, pois quando um tubarão é capturado, os outros começam a devorar o que foi fisgado.
Talvez você esteja brigando e de repente a briga para e a única coisa que você recolhe pode ser uma cabeça ou barbatana. Use anzóis totalmente encapados com aço de maior libragem possível. Cuidado no manuseio, pois uma dentada do bicho pode estraçalhar sua mão ou outro membro qualquer.
Algumas espécies são impossíveis de serem capturadas com anzol, como no caso do tubarão branco que pode chegar a mais de 5 metros e pesar 3 toneladas. As espécies mais capturadas são: tubarão tigre, azul, pardo, galha preta, martelo e cabeça chata, e também são esportivos e corredores. A carne não tem muito valor comercial.
Infelizmente tem crescido o número de pescadores que cortam as nadadeiras (barbatanas), pois em diversos mercados são considerados como uma iguaria na culinária e jogam o resto no mar, como se fosse lixo. Mutilado, o animal, não tem chance de sobreviver. Os pescadores alegam que não compensa armazenar o peixe.
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Gladison Perosini